Cantora Preta Gil morre aos 50 anos após luta contra o câncer

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Filha de Gilberto Gil, Preta construiu carreira própria na música, TV e ativismo social.

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Reprodução Foto/Internet

Preta Gil, filha do cantor Gilberto Gil, nasceu em meio a uma das famílias mais influentes da música brasileira e construiu sua própria trajetória como símbolo de representatividade e resistência. Ao longo de sua carreira, destacou-se não apenas pela voz marcante, mas também pelo engajamento em causas sociais, levantando bandeiras contra o racismo, a gordofobia e em defesa dos direitos das mulheres e da comunidade LGBTQIA+.

A artista deixa seu filho Francisco e a neta Sol, além de um legado de coragem, arte e inclusão.

O diagnóstico de um câncer no intestino veio no início de 2023, marcando o início de uma dura jornada para Preta Gil. Com transparência e coragem, ela escolheu dividir cada etapa do tratamento com o público, utilizando suas redes sociais e entrevistas como espaços de acolhimento, força e conscientização. Mesmo diante das adversidades, manteve uma postura inspiradora e resiliente.

Sua Trajetória

Nascida no Rio de Janeiro em 8 de agosto de 1974, Preta Gil cresceu cercada pela arte e pela música, herdando o talento e a sensibilidade do pai, Gilberto Gil. Em uma lembrança carinhosa compartilhada nas redes sociais, o cantor contou como decidiu registrar a filha com o nome “Preta” — um gesto simbólico e desafiador que refletia a força que ela carregaria por toda a vida.

Criada em um ambiente repleto de influências culturais e artísticas, Preta desenvolveu desde cedo uma conexão profunda com a música e o ativismo. Sua estreia oficial como cantora aconteceu em 2003, com o álbum “Prêt-à-Porter”, que trouxe parcerias de destaque, como a faixa “Sinais de Fogo”, ao lado de Ana Carolina. A partir daí, construiu uma carreira marcada por autenticidade, ousadia e representatividade.

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Preta Gil usava sua voz e visibilidade para enfrentar injustiças e promover inclusão. Assumidamente feminista, tornou-se uma referência na luta por respeito às diferenças, combatendo preconceitos como o racismo e a gordofobia, além de defender com firmeza os direitos da população LGBTQIA+. Sua postura pública foi marcada pelo ativismo corajoso e pelo compromisso com a igualdade.

Após a estreia com o álbum “Prêt-à-Porter”, Preta Gil consolidou sua carreira musical com uma discografia diversa e cheia de colaborações marcantes. Entre seus lançamentos estão os discos “Preta” (2005), “Noite Preta ao Vivo” (2010), “Sou Como Sou” (2012), “Bloco da Preta” (2014) e “Todas as Cores” (2017). Suas músicas misturavam pop, samba e MPB, com parcerias de peso ao lado de nomes como Anitta, Lulu Santos, Ivete Sangalo, Pabllo Vittar e Thiaguinho.

O título “Bloco da Preta” não ficou restrito ao álbum: deu nome também ao bloco de Carnaval fundado pela artista em 2010. Comandado por ela nas ruas do Rio de Janeiro, o bloco rapidamente se tornou um dos maiores e mais animados do Carnaval carioca, arrastando multidões e celebrando a diversidade com muita música e irreverência.

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Em 2017, além de sua atuação artística, Preta Gil ampliou sua presença no mercado criativo ao ingressar no setor de publicidade. Tornou-se sócia da Mynd, uma agência especializada em marketing de influência e gestão de carreira de personalidades digitais. Com essa iniciativa, ela passou a atuar nos bastidores da comunicação, ajudando a conectar marcas e influenciadores e promovendo representatividade também no mundo empresarial.

Preta Gil foi uma artista multifacetada que ultrapassou os limites da música. Cantora, atriz, empresária e ativista, ela construiu uma carreira baseada na autenticidade, no enfrentamento aos padrões e na valorização da diversidade. Desde cedo, esteve inserida no universo artístico, mas fez questão de trilhar seu próprio caminho, com estilo e voz próprios. Seus shows sempre foram marcados por alegria, espontaneidade e um forte senso de acolhimento, especialmente para públicos marginalizados.

Ao longo de sua trajetória, Preta também atuou no cinema e na televisão, participando de novelas, séries e projetos culturais. Era presença constante em programas de auditório, realities e iniciativas sociais. Mais do que entretenimento, sua arte era instrumento de transformação. Preta falava abertamente sobre temas como aceitação do corpo, liberdade sexual, saúde mental e enfrentamento ao preconceito — inspirando milhares de pessoas a se enxergarem com mais amor e coragem.

Como empresária, ajudou a profissionalizar o mercado de influenciadores digitais no Brasil por meio da Mynd, dando voz e visibilidade a artistas de diferentes perfis. No Carnaval, transformou o “Bloco da Preta” em um dos maiores eventos de rua do país, promovendo uma festa inclusiva, democrática e vibrante. Sua presença era símbolo de afeto, irreverência e luta.

Preta Gil será lembrada não apenas por suas músicas, mas pela maneira como viveu: com intensidade, generosidade e propósito.

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