Investigações apontam que o grupo criminoso atuava com tráfico de armas, ordenava execuções de rivais e articulava ataques em diferentes regiões de Mato Grosso.
Facção investigada na Operação Yang planejava dominar Sorriso com crimes violentos e tráfico de armas
Uma facção criminosa que buscava expandir sua influência em Sorriso e municípios vizinhos é alvo da Operação Yang, deflagrada pela Polícia Civil na última quinta-feira (2). O grupo é investigado por uma série de crimes, incluindo comércio ilegal de armas de fogo, sequestros, assassinatos de rivais e o planejamento de ataques coordenados no Estado.

Foto Assessoria | Polícia Civil – MT
Foto Assessoria | Polícia Civil – MTA investigação, conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), revelou que líderes da facção — inclusive detentos do sistema prisional — comandavam à distância ações violentas. Além do tráfico de drogas e da compra de armamento, o grupo articulava sequestros e execuções com o objetivo de eliminar membros de facções concorrentes e assumir o controle do crime na região.
Os trabalhos investigativos tiveram início em 2024, após o enfraquecimento de outra organização criminosa alvo da Operação Recovery, realizada no ano anterior. Com a prisão de diversos integrantes dessa facção rival, os membros da nova organização criminosa enxergaram uma oportunidade para ocupar o espaço deixado no submundo do crime em Sorriso.
Facção planejava ataques violentos e usava armamento pesado para eliminar rivais em Sorriso
Durante as investigações da Operação Yang, a Polícia Civil descobriu que a facção criminosa pretendia demonstrar poder e domínio por meio de atentados violentos em Mato Grosso. Entre os alvos estariam agências bancárias e casas lotéricas, com ordens diretas partindo de um dos líderes do grupo, atualmente preso na Penitenciária Central do Estado, em Várzea Grande.
As apurações também revelaram um esquema de compra e venda ilegal de armamentos, envolvendo munições e armas de diversos calibres. Integrantes da facção atuavam ativamente como fornecedores de armamento pesado, incluindo fuzis, para sustentar ações criminosas e disputas territoriais.
Dentre o arsenal apreendido ou rastreado, destaca-se o uso de fuzis calibre 7.62, empregados em ações violentas contra membros de grupos rivais. Foi com esse tipo de armamento que o grupo executou dois jovens — Gelson da Silva, de 23 anos, e Lucas da Silva Chaves, de 21 — em novembro de 2023, em Sorriso. Ambos eram ligados a uma facção rival.
Na ocasião, quatro criminosos armados com dois fuzis e duas pistolas atacaram as vítimas, que estavam em via pública. Os disparos mataram os dois alvos e deixaram outras duas pessoas feridas. As investigações apontam que os autores agiram com a intenção clara de eliminar adversários, tratando seus comparsas como “irmãos” e os rivais como “lixo”, numa demonstração brutal da ideologia violenta que norteia o grupo.

Foto Assessoria | Polícia Civil – MT
Delegado destaca que operação evitou novos ataques e desarticulou facção em Sorriso
O delegado Antenor Pimentel Marcondes, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), ressaltou que a investigação foi fundamental para expor a participação da facção em crimes graves registrados em Sorriso. Entre eles, o duplo homicídio ligado à guerra entre grupos rivais e a articulação de atentados violentos na cidade.
Segundo o delegado, a Operação Yang não apenas conseguiu identificar e prender integrantes da organização criminosa, como também impediu que novos crimes fossem cometidos. “A ação foi decisiva para conter o avanço do grupo. Conseguimos evitar ataques contra bancos, comércios e instituições, além de possíveis assassinatos que estavam sendo planejados”, afirmou Marcondes.

Foto Assessoria | Polícia Civil – MT
Operação Yang: ofensiva do Estado contra avanço de facção criminosa em Mato Grosso
Batizada de Operação Yang, a ação da Polícia Civil simboliza o enfrentamento direto à criminalidade organizada, representando a luz que rompe a escuridão imposta pelas atividades clandestinas da facção investigada. O nome remete à ideia de força ativa e equilíbrio diante do caos gerado pelo grupo, responsável por coordenar assassinatos, sequestros e ataques contra rivais em busca de domínio territorial na região de Sorriso.
A operação foi deflagrada como parte da estratégia da Inter Partes, uma força-tarefa permanente da Polícia Civil voltada para a repressão qualificada às organizações criminosas. Essa iniciativa integra o Programa Tolerância Zero, implementado pelo Governo de Mato Grosso, que intensificou ações integradas de inteligência, investigação e repressão contra facções em todo o território estadual.
Com o avanço das investigações e a execução de mandados judiciais, a Operação Yang não apenas identificou e desmantelou parte do núcleo criminoso atuante no norte do Estado, como também evitou atentados em fase de planejamento, reafirmando o compromisso das forças de segurança pública em conter a violência urbana e restaurar a ordem nos municípios mais afetados.
Share this content:
