Testemunhas afirmam que o magistrado apresentava sinais de embriaguez e estaria com uma mulher seminua no colo no momento do atropelamento.
Por Gns Notícias

Thais Bonatti de Andrade, de 30 anos, morreu dois dias após ser atropelada pelo juiz aposentado José Antônio Lobo de Carvalho, durante a madrugada de sábado (26), em Araçatuba, no interior de São Paulo. A vítima não resistiu aos ferimentos graves causados pelo impacto.
Thais Bonatti de Andrade, de 30 anos, trabalhava como auxiliar de cozinha e estava a caminho do trabalho de bicicleta quando foi violentamente atropelada. O impacto causou traumatismo craniano e fraturas na região da bacia. Ela foi socorrida e levada em estado grave para a Santa Casa de Araçatuba, onde passou por duas cirurgias, mas não resistiu aos ferimentos.
O responsável pelo atropelamento foi Fernando Augusto Rodrigues Junior, de 61 anos, juiz aposentado. Ele conduzia uma caminhonete Ford Ranger e, segundo relatos de testemunhas, teria parado bruscamente em uma área de carga e descarga de um supermercado. Naquele momento, uma jovem de 25 anos, que estaria seminua, sentou-se no colo do magistrado. Logo em seguida, o veículo acelerou repentinamente e atingiu Thais.
De acordo com o boletim de ocorrência, o juiz aposentado Fernando Augusto Rodrigues Junior havia passado a madrugada em uma casa noturna e apresentava sinais de embriaguez. O exame de alcoolemia realizado na delegacia confirmou a presença de álcool no organismo.
Preso em flagrante após o atropelamento, ele foi liberado horas depois mediante o pagamento de fiança e irá responder ao processo em liberdade. Em nota oficial, a família do magistrado expressou pesar pelo ocorrido e afirmou prestar solidariedade à família de Thais Bonatti. O juiz, por orientação da defesa, não se pronunciou sobre o caso, alegando respeito à investigação e ao sigilo processual. “O silêncio do acusado é um direito legal e também um gesto de respeito à vítima e à sua família”, informou a nota.
A liberação do magistrado gerou revolta entre familiares da vítima. William Bonatti, irmão de Thais, criticou duramente a decisão judicial. “O juiz que atropelou e passou por cima da minha irmã, embriagado, está em casa, em liberdade. E eu estou aqui preparando o corpo dela para o sepultamento”, desabafou.
Thais foi sepultada no domingo (28), em meio à comoção de parentes e amigos, em Araçatuba (SP).

Carreira e rendimento do magistrado
Fernando Augusto Rodrigues Junior atuou por anos como titular da 1ª Vara Cível de Araçatuba, no interior de São Paulo, até sua aposentadoria oficial em 15 de agosto de 2019.
Apesar de estar fora da ativa, ele continua recebendo valores elevados do Tribunal de Justiça de São Paulo. De acordo com informações do Portal da Transparência, apenas no primeiro semestre deste ano, seus rendimentos brutos somaram R$ 917 mil. Após descontos, o valor líquido recebido foi de aproximadamente R$ 781 mil — uma média de R$ 130 mil mensais.
O caso envolvendo o juiz aposentado Fernando Augusto Rodrigues Junior provocou forte indignação nas redes sociais e levantou um debate nacional sobre privilégios no sistema judiciário. O atropelamento que tirou a vida da ciclista Thais Bonatti de Andrade, de 30 anos, aconteceu em circunstâncias chocantes e, segundo testemunhas, poderia ter sido evitado.
Rodrigues Junior, segundo o boletim de ocorrência, havia passado horas em uma casa noturna e estava visivelmente embriagado no momento do acidente. O exame de alcoolemia, realizado logo após sua detenção, confirmou a presença de álcool em seu organismo, o que fortalece a acusação de homicídio culposo — quando não há intenção de matar, mas com agravantes por imprudência.

O episódio ganhou ainda mais repercussão devido ao comportamento do juiz no momento do acidente. Testemunhas relataram que, pouco antes de atingir a ciclista, ele havia parado sua caminhonete em um ponto de carga e descarga de um supermercado. Uma jovem de 25 anos, que estaria seminua, sentou-se no colo do magistrado instantes antes do veículo avançar e atropelar Thais, que estava a caminho do trabalho.
A cena foi descrita como absurda por quem presenciou o fato. Pessoas que passavam pelo local ainda tentaram socorrer Thais, mas os ferimentos foram graves demais. Ela foi levada à Santa Casa, passou por duas cirurgias e permaneceu internada por dois dias em estado crítico, mas acabou falecendo.

Apesar da gravidade dos fatos, Rodrigues Junior foi liberado após pagar fiança. Essa decisão causou revolta na população local e entre os familiares da vítima. William Bonatti, irmão de Thais, expressou sua indignação em uma postagem nas redes sociais, afirmando que enquanto o juiz “dormia tranquilamente em sua casa”, a família preparava o enterro da jovem trabalhadora.
A trajetória de Rodrigues Junior na magistratura reforça o contraste entre o prestígio acumulado ao longo dos anos e a gravidade da conduta no episódio recente. Até sua aposentadoria em 2019, ele atuava como juiz da 1ª Vara Cível de Araçatuba, com uma carreira consolidada. Dados do Tribunal de Justiça de São Paulo revelam que, somente no primeiro semestre de 2025, ele recebeu mais de R$ 780 mil líquidos em rendimentos — valores que causaram ainda mais revolta diante da sensação de impunidade.
Juristas ouvidos por veículos de imprensa apontam que, embora o juiz aposentado tenha direito ao contraditório e ampla defesa, os indícios de embriaguez, imprudência e desprezo à vida humana tornam o caso especialmente grave. A Polícia Civil investiga o episódio e pode haver um pedido de conversão do inquérito para homicídio doloso com dolo eventual, quando o agente assume o risco de matar.
Enquanto isso, a família de Thais luta para que o caso não caia no esquecimento e que a justiça seja feita. A comoção tomou conta de Araçatuba durante o sepultamento, realizado no domingo (28), em meio a homenagens de amigos, colegas de trabalho e ciclistas da região que realizaram um cortejo simbólico até o cemitério.
Share this content:
