“Rapper Oruam volta às manchetes após novo atrito com a polícia”

Compartilhe:

Artista, que ganhou notoriedade no cenário do trap nacional, foi citado em nova ocorrência policial envolvendo abordagens e polêmicas nas redes sociais.

Por Gns Notícias 22/07/2025  as 18:35 atualizado

Screenshot_2152-300x210 "Rapper Oruam volta às manchetes após novo atrito com a polícia"

Estilo e polêmica: rapper Oruam será indiciado por associação ao tráfico no Rio

Quem é o Oruam; Aos 23 anos, Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, é um dos artistas mais influentes da cena do rap e trap no Brasil. Com milhões de seguidores online, ele cultiva uma imagem marcada pelo luxo e pela ousadia — exibe joias caras, carros de alto padrão, festas cinematográficas e frases provocativas que viralizam com frequência. Mas, longe dos holofotes da fama, sua trajetória voltou a cruzar com o noticiário policial.

Nesta terça-feira (22), a Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que vai indiciar o cantor por quatro crimes: associação ao tráfico de drogas, resistência qualificada, desacato e dano ao patrimônio público. As investigações fazem parte de uma série de ocorrências que envolvem o nome do rapper nos últimos meses, levantando questionamentos sobre o vínculo entre celebridades da música e territórios dominados pelo crime organizado.

Segundo fontes ligadas à investigação, Oruam teria se envolvido em uma abordagem policial que terminou em confusão e danos a viaturas. O caso reacende o debate sobre a relação entre o universo do entretenimento e a realidade das comunidades cariocas, onde fama e ilegalidade muitas vezes se cruzam.

imagemotimizada-5_00895417_0_-3-300x157 "Rapper Oruam volta às manchetes após novo atrito com a polícia"

Rapper Oruam volta a ser alvo da polícia após operação no Joá terminar em confronto e feridos

Um novo episódio envolvendo o cantor Oruam acirrou ainda mais a crise entre o artista e as forças de segurança do Rio. Na última ação, agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) cercaram a residência de luxo do rapper no bairro do Joá, Zona Oeste da cidade. Durante a operação, um adolescente foragido da Justiça foi encontrado no local — segundo a polícia, o jovem atuava como segurança pessoal de um dos líderes do Comando Vermelho.

Enquanto a ação ocorria, Oruam acionou seus seguidores por meio das redes sociais, pedindo apoio e alegando perseguição. A mobilização atraiu dezenas de pessoas ao local e resultou em confusão. Houve confronto, pedras foram arremessadas contra os policiais e um agente acabou ferido. Horas depois, o artista publicou um vídeo desafiando abertamente a corporação: “Venham me buscar na Penha”, disse, em referência ao conjunto de favelas onde cresceu e mantém laços com a comunidade.

Essa não é a primeira vez que o nome de Oruam aparece em investigações da DRE. Em fevereiro, o cantor foi alvo de mandados de busca e chegou a ser preso após outro foragido da Justiça — suspeito de envolvimento com uma organização criminosa — ser localizado dentro de sua residência. Na mesma ocasião, imóveis ligados à mãe do artista, Márcia Gama Nepomuceno, também foram alvo de diligências. Poucos dias antes, o rapper havia sido detido por realizar manobras perigosas de carro em frente a uma blitz policial, numa suposta ação promocional para o lançamento de seu novo álbum.

Filho de Marcinho VP, um dos principais líderes históricos do Comando Vermelho, preso desde 1996, Oruam não esconde a relação com o pai. Ao contrário, faz dela parte central de sua imagem pública. Em 2023, chamou atenção ao subir no palco do festival Lollapalooza vestindo uma camiseta com os dizeres “Liberdade para Marcinho VP”, gesto que provocou reações nas redes sociais. Na época, Oruam alegou estar apenas desabafando sobre a ausência paterna. O artista também carrega no corpo uma tatuagem com o nome de Elias Maluco — traficante condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes —, a quem chamou de “padrinho” em publicações antigas.

Apesar das recorrentes polêmicas, Oruam mantém uma carreira sólida no cenário do trap nacional. Com visual extravagante, letras provocativas e forte presença digital, coleciona hits, seguidores e parcerias com nomes como MC Daniel, Chefin, Orochi e MC Cabelinho. O estilo de vida luxuoso que exibe nas redes sociais também chama atenção: carros de luxo como Porsche 911 e Audi TT RS, festas internacionais, e até um gato da raça Savannah F1 — avaliado em mais de R$ 100 mil —, batizado de Malandrex. O animal é cuidado por sua namorada, Fernanda Valença, estudante de veterinária e influenciadora, com quem mantém um relacionamento há cinco anos.

Enquanto a Justiça analisa o avanço do inquérito, o rapper volta ao centro do debate sobre os limites da ostentação, o impacto da fama e a influência do crime no imaginário de parte da juventude brasileira.

520316025_1050503383911441_2483131319044518718_n-300x240 "Rapper Oruam volta às manchetes após novo atrito com a polícia"

Entre rimas e crimes: letras de Oruam exaltam o tráfico, desafiam a lei e reforçam imagem de poder nas comunidades

Além das polêmicas fora dos palcos, Oruam também tem sido criticado pelo conteúdo de suas músicas, muitas das quais fazem referência direta ao tráfico de drogas, à vida nas favelas e à figura do criminoso como símbolo de status e respeito. Em suas letras, o rapper frequentemente mistura relatos de sua vivência na comunidade com frases que romantizam a violência e o confronto com a polícia, o que tem levantado acusações de apologia ao crime.

Canções como “Lágrimas de um Favelado”, “Marginal Livre” e “Complexo” viralizaram justamente por retratar a rotina de quem convive com o poder paralelo. Em versos como “nós tá blindado no morro, os cria armado com o fuzil do pai” e “se a polícia subir, vai voltar no camburão furado”, Oruam reforça a imagem de resistência e controle territorial, criando uma narrativa onde o tráfico aparece como alternativa legítima frente à ausência do Estado.

Essa estética lírica — comum no gênero trap — tem impulsionado o sucesso comercial do artista entre o público jovem, mas também gerado críticas de setores da sociedade que veem nas músicas um estímulo ao crime e um desserviço ao debate sobre segurança pública. O discurso de empoderamento, segundo especialistas, muitas vezes esconde a normalização da violência e da impunidade.

Apesar disso, Oruam continua batendo recordes de visualizações nas plataformas de streaming e mantém uma base sólida de fãs que o enxergam como alguém que deu voz à realidade da periferia. Para muitos, ele representa o “cria que venceu”, mesmo que cercado por controvérsias.

A polícia, no entanto, afirma que as investigações vão além das letras. Há suspeitas de que o artista tenha vínculos reais com facções criminosas, o que pode configurar não apenas apologia, mas associação direta ao tráfico — crime punido com pena de reclusão. O inquérito em curso busca esclarecer se a figura pública de Oruam ultrapassou os limites do discurso artístico para se envolver diretamente com atividades ilícitas.

o-rapper-oruam-usa-camiseta-com-o-rosto-do-pai-marcinho-vp-no-lollapalooza-2053337-article-300x195 "Rapper Oruam volta às manchetes após novo atrito com a polícia"

Marcinho VP: quem é o pai de Oruam que está preso?

Marcinho VP é considerado uma das figuras mais influentes dentro do Comando Vermelho, organização criminosa que há décadas comanda parte do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Seu nome se tornou conhecido nacionalmente por sua atuação no Complexo do Alemão, onde, segundo investigações, exerceu liderança sobre pontos de venda de entorpecentes e estratégias de domínio territorial.

Embora já estivesse preso desde os anos 1990, a figura de Marcinho voltou a chamar atenção do público recentemente, impulsionada pela projeção de seu filho, o rapper Oruam. O artista, que ganhou destaque no cenário do trap nacional, costuma mencionar o pai em entrevistas, músicas e apresentações, o que reacendeu o debate sobre a influência do crime na construção de narrativas culturais nas periferias.

download-5 "Rapper Oruam volta às manchetes após novo atrito com a polícia"

Quem é Marcinho VP e por que cumpre pena há quase três décadas

Márcio dos Santos Nepomuceno, mais conhecido como Marcinho VP, tem 54 anos e é apontado como uma das lideranças históricas do Comando Vermelho, facção que domina boa parte do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Nascido na capital fluminense, ele ganhou notoriedade nos anos 1990 como chefe do tráfico no Complexo do Alemão, uma das regiões mais conflagradas da cidade.

Preso desde 1996, Marcinho foi capturado em Porto Alegre (RS) e, desde então, passou por diversos presídios de segurança máxima. As autoridades o consideram um dos articuladores de ataques violentos no Rio, muitos dos quais teriam sido organizados de dentro das próprias unidades prisionais. Ele acumula condenações por crimes como homicídio, tráfico, organização criminosa e associação para o crime.

Apesar do isolamento, o nome de Marcinho VP voltou ao debate público com mais força nos últimos anos por conta da ascensão de seu filho, o rapper Oruam. O artista menciona o pai com frequência em entrevistas, músicas e aparições públicas, o que tem reacendido discussões sobre a influência da criminalidade na cultura popular e na formação de ídolos nas periferias urbanas.

Marcinho VP, a guerra interna no Comando Vermelho e a defesa emocional de Oruam pelo pai preso

Entre os diversos crimes que pesam sobre Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, uma das acusações mais graves é a suspeita de ter mandado executar um antigo aliado dentro da própria facção. Segundo investigações da Polícia Civil, Marcinho teria ordenado a morte de Márcio Amaro de Oliveira, o “Amaro VP”, que comandava o tráfico na Favela Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O crime, segundo os investigadores, teria sido motivado por disputas internas de poder dentro do Comando Vermelho.

Essa não seria a primeira vez que o nome de Marcinho VP aparece ligado a decisões de alto impacto dentro da estrutura da facção. Mesmo cumprindo pena em presídios federais desde 1996, ele é apontado por autoridades como um dos líderes que continuaram a exercer influência sobre ações do grupo criminoso a partir da cadeia. Em razão disso, foi transferido diversas vezes entre presídios de segurança máxima e hoje cumpre pena em Catanduvas, no Paraná, sob regime de isolamento.

A influência sobre Oruam e o uso simbólico da imagem do pai

A figura de Marcinho VP ganhou nova repercussão pública nos últimos anos por conta da ascensão do filho, o rapper Oruam, um dos nomes em destaque da nova geração do trap nacional. O artista tem adotado uma postura abertamente afetiva e defensiva em relação ao pai, mesmo diante das acusações criminais que cercam seu nome. Em várias entrevistas e aparições públicas, Oruam reforça que sua ligação com Marcinho é pessoal e afetiva, e não tem qualquer envolvimento com os crimes do passado.

Durante o Lollapalooza 2024, em uma das apresentações mais comentadas do festival, Oruam subiu ao palco usando uma camiseta com a imagem do pai e a palavra “Liberdade” estampada em destaque. O gesto dividiu opiniões nas redes sociais: enquanto alguns o viram como uma homenagem pessoal, outros interpretaram como uma tentativa de glorificação de uma figura ligada ao crime organizado.

No Dia dos Pais daquele ano, Oruam publicou um desabafo nas redes sociais, revelando o peso emocional de crescer sem a presença do pai:

“Hoje é daqueles dias que eu nem gosto de entrar na internet. Não tenho uma foto com meu pai, não tenho a presença dele e como se isso não fosse castigo suficiente, a mídia tenta o tempo todo destruir o que esse cara é para mim.”

Em entrevista ao podcast “Podpah de Verão”, Oruam detalhou suas visitas ao presídio de Catanduvas:

“Eu vou visitar meu pai e ele fica todo bobo. Fala que os policiais falam de mim para ele, que eu fui na casa do Neymar. Imagina para ele. Ele sofreu para caralho, está pagando por tudo o que ele fez. Ninguém pode falar nada. É meu pai. Vagabundo fala vários bagulhos, querendo ‘denegrir’ minha imagem por causa dele. O bagulho que ele fez, foi ele quem fez. Eu não tenho nada a ver com isso.”

Cultura, crime e o debate sobre responsabilidade

O caso levanta reflexões importantes sobre a fronteira entre arte e apologia, entre a história pessoal e a influência pública. A trajetória de Oruam está inevitavelmente ligada ao nome do pai — tanto na construção de sua identidade artística quanto na forma como a mídia e o público o enxergam.

Enquanto Marcinho VP cumpre pena por crimes graves e lideranças do tráfico, Oruam navega entre os holofotes do sucesso musical e os questionamentos éticos de sua exposição pública. No meio disso, surgem discussões sobre até que ponto a cultura pode separar o artista de sua origem, e se há responsabilidade social nas mensagens que esses ídolos carregam.

Linha do Tempo: Marcinho VP e Oruam

  • Anos 1990 — Marcinho VP se destaca como líder do tráfico no Complexo do Alemão e ganha notoriedade dentro do Comando Vermelho.

  • 1996 — Marcinho VP é preso em Porto Alegre e inicia cumprimento de pena em presídios federais de segurança máxima.

  • Anos 2000-2020 — Continuam as investigações sobre sua influência no crime mesmo preso, com transferências frequentes entre cadeias.

  • 2010s — Oruam começa a carreira musical, influenciado pelo contexto familiar, e ganha visibilidade no cenário do rap e trap nacional.

  • 2023 — Oruam se apresenta no Lollapalooza usando camiseta com imagem de Marcinho VP e “Liberdade”, gerando polêmica.

  • 2024 — Oruam faz post emocionado no Dia dos Pais e declara em entrevistas o carinho e defesa ao pai preso em Catanduvas.

Share this content:

Compartilhe: