Facção Comando Vermelho financia ocupações ilegais, resultando em altos índices de violência e mortes na capital mato-grossense
As invasões de terras têm se tornado cada vez mais frequentes em Cuiabá e em diversas regiões de Mato Grosso. Nos últimos anos, um novo elemento tem agravado ainda mais o cenário: o envolvimento direto de facções criminosas, especialmente o Comando Vermelho, no financiamento e controle dessas ocupações ilegais. Relatórios de segurança pública e denúncias de moradores apontam que essas ações são, em grande parte, coordenadas para fins de lucro e domínio territorial.
Em Cuiabá, bairros como Pedra 90, Jardim Vitória, Três Barras e regiões do entorno da Rodovia Arquiteto Helder Cândia (MT-010) têm registrado episódios recorrentes de invasões organizadas. A maioria das vítimas são pequenos proprietários que acabam expulsos de suas terras sob ameaças ou, em muitos casos, executados. Segundo levantamento extraoficial feito por fontes locais, ao menos 15 mortes ligadas diretamente a disputas por terras invadidas foram registradas entre 2023 e 2025, apenas na região metropolitana da capital.

Reprodução foto/intenet
Panorama Nacional: Invasões Crescem no Brasil e Apontam Fragilidade Jurídica
No cenário nacional, dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Observatório da Propriedade Privada apontam um crescimento de 38% nas invasões de propriedades privadas entre 2020 e 2024. Os estados com maior incidência são Pará, Mato Grosso, Maranhão e Bahia. O que antes era dominado por movimentos sociais organizados, como o MST, agora também é explorado por facções criminosas que se aproveitam de brechas legais e da morosidade do sistema judiciário.
As ações são rápidas e bem articuladas: grupos armados ocupam áreas privadas, loteiam os terrenos e vendem por valores simbólicos a famílias vulneráveis, que muitas vezes ignoram o caráter ilegal da ocupação. Quando há reintegração de posse autorizada, o processo já está tomado por conflitos violentos e ocupações reincidentes.

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Aa Leis que Favorecem a Impunidade e a Ocupação Inlegal
Especialistas em direito agrário e criminal apontam que o Brasil ainda carece de leis eficazes para coibir e punir com celeridade os responsáveis por invasões ilegais de terra. A Constituição Federal garante o direito à propriedade (art. 5º, XXII), mas também impõe a função social da terra (art. 5º, XXIII), o que muitas vezes é interpretado de forma ambígua.
Além disso, o Código Penal Brasileiro tipifica a invasão de propriedade (art. 150) como crime de menor potencial ofensivo, com penas brandas, o que estimula a reincidência. A morosidade nas ações de reintegração de posse — que podem levar anos — também colabora para a consolidação de ocupações ilegais.
Outro ponto crítico é a Lei nº 13.465/2017, que regula a regularização fundiária urbana e rural. Embora tenha o objetivo de legalizar áreas ocupadas há décadas, essa legislação, quando mal aplicada, acaba sendo usada como instrumento para legitimar invasões recentes.

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Autoridades Alerta e Medidas Urgentes São Cobradas
Moradores e representantes de associações de produtores rurais de Mato Grosso têm cobrado ações mais enérgicas do governo estadual e federal. A presença do crime organizado nas ocupações não é apenas uma questão fundiária — é uma grave ameaça à segurança pública.
A Polícia Civil e o Ministério Público já investigam a atuação direta do Comando Vermelho nessas invasões, especialmente em regiões urbanas em expansão. Enquanto isso, famílias inteiras vivem sob o risco de serem expulsas ou mortas por tentar defender o que lhes é de direito: a posse legal de suas terras.
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