EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações criminosas terroristas e reacendem debate sobre a falência do combate ao crime no Brasil

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Decisão anunciada pelo governo norte-americano amplia pressão internacional sobre o avanço das facções brasileiras e recoloca no centro do debate a eficácia das leis penais, a política de segurança pública e a capacidade do Estado brasileiro de enfrentar o crime organizado.

Redação Gns Notícias atualizado em 29/05/2026 as 13:ChatGPT-Image-29-de-mai.-de-2026-13_51_59 EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações criminosas terroristas e reacendem debate sobre a falência do combate ao crime no BrasilImagem|Gns Notícias

EUA ampliam pressão internacional sobre facções brasileiras

O governo dos Estados Unidos anunciou a classificação das duas maiores facções criminosas do Brasil — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — como organizações terroristas estrangeiras e grupos criminosos transnacionais, em medida que amplia sanções financeiras e mecanismos de cooperação internacional. A decisão foi comunicada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, durante a administração do presidente Donald Trump, sob a justificativa de que as organizações representam ameaça regional, possuem atuação internacional e operam estruturas de tráfico, lavagem de dinheiro, extorsão e violência organizada.

A medida marca um novo capítulo no debate internacional sobre o avanço das facções brasileiras, cuja influência ultrapassou fronteiras e hoje alcança rotas internacionais de tráfico, mercados ilegais e redes financeiras em diversos países da América Latina e Europa.


A origem do Comando Vermelho: das prisões do Rio ao poder do crime organizado

O Comando Vermelho surgiu na década de 1970, dentro do sistema penitenciário do estado do Rio de Janeiro. Pesquisadores e autoridades apontam que sua formação ocorreu no presídio da Ilha Grande, onde criminosos comuns dividiram espaço com presos políticos do período da ditadura militar. A convivência favoreceu a criação de uma organização voltada inicialmente para proteção entre detentos e resistência ao sistema prisional, mas que, ao longo dos anos, transformou-se em uma das maiores redes criminosas do país.

Nas décadas seguintes, o grupo expandiu sua influência em comunidades urbanas, consolidando domínio territorial em regiões do Rio de Janeiro por meio do tráfico de drogas, extorsões, confrontos armados e disputas violentas contra rivais. Com o passar do tempo, o CV tornou-se símbolo da criminalidade organizada brasileira.


O nascimento do PCC: a facção criada após o trauma do Carandiru

O Primeiro Comando da Capital foi fundado em 1993, no sistema prisional paulista, após o impacto político e social do massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, quando uma intervenção policial deixou mais de uma centena de mortos no presídio em São Paulo. O grupo nasceu com um discurso interno de “proteção aos presos” e reação contra abusos no sistema penitenciário, mas rapidamente evoluiu para uma poderosa estrutura de crime organizado.

Com uma organização mais empresarial e descentralizada, o PCC expandiu operações para quase todos os estados brasileiros, além de consolidar presença internacional, controlando rotas do tráfico, lavagem de dinheiro e articulações dentro e fora dos presídios. Investigações recentes indicam que sua atuação se estende a dezenas de países e movimenta bilhões por meio de esquemas financeiros clandestinos.


O desafio brasileiro: por que o combate às facções continua sendo alvo de críticas?

Especialistas em segurança pública apontam que o avanço das facções no Brasil está ligado a uma combinação de fatores estruturais: sistema penitenciário superlotado, fragilidade no controle de fronteiras, lentidão judicial, baixa coordenação entre forças de segurança, corrupção, desigualdade social e dificuldades em rastrear fluxos financeiros do crime organizado. Operações policiais têm gerado prisões e apreensões, mas há críticas recorrentes de que o país enfrenta dificuldades em desmontar as redes econômicas que sustentam as organizações criminosas.

Além disso, especialistas argumentam que o foco excessivo em ações repressivas pontuais, sem integração nacional e inteligência financeira robusta, muitas vezes enfraquece células criminosas localmente, mas não elimina a estrutura econômica das facções.


O Código Penal de 1940 e o debate sobre modernização das leis

Outro ponto frequentemente citado no debate público é a idade do atual Código Penal brasileiro. Criado pelo Decreto-Lei nº 2.848, de 1940, durante o governo de Getúlio Vargas, o código entrou em vigor em 1942 e permanece como base do sistema penal brasileiro, embora tenha recebido diversas alterações ao longo das décadas. Juristas argumentam que partes do sistema legal ainda enfrentam dificuldades para responder à dinâmica do crime organizado moderno, marcado por estruturas transnacionais, tecnologia financeira e operações sofisticadas de lavagem de dinheiro.

Ao mesmo tempo, especialistas destacam que apenas endurecer penas não resolve o problema sem investigação patrimonial, inteligência policial, cooperação internacional, sistema prisional eficiente e prevenção social.


O exemplo internacional: o caso de El Salvador no combate às gangues

Frequentemente citado em debates sobre segurança pública, o país de El Salvador adotou nos últimos anos uma política extremamente rígida contra gangues, marcada por prisões em massa, endurecimento penal e expansão do controle estatal sobre territórios antes dominados por grupos criminosos. O modelo reduziu drasticamente índices de homicídios, mas também gerou forte debate internacional por denúncias de violações de direitos civis, prisões sem devido processo e concentração de poder estatal. Assim, analistas divergem sobre quais elementos dessa experiência poderiam ser adaptados ao contexto brasileiro.


Um debate que divide o país

A decisão dos Estados Unidos recoloca em evidência uma questão central: qual estratégia o Brasil deve adotar para enfrentar facções que hoje possuem presença nacional e conexões internacionais? Enquanto setores defendem endurecimento penal e maior repressão financeira, outros sustentam que o enfrentamento exige reformas institucionais, fortalecimento da inteligência policial, modernização legislativa e coordenação entre União e estados.

Independentemente da posição política, há consenso entre especialistas de que o crescimento do crime organizado representa um dos maiores desafios contemporâneos da segurança pública brasileira.

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