Primeiros sinais concretos da obra aparecem em Cuiabá com pista exclusiva para ônibus e área de caminhada, enquanto população relembra escândalos do VLT e cobra conclusão definitiva
Redação Roberto Gusts publico 21/03/2026

Após anos de promessas, paralisações e mudanças de projeto, o BRT (Bus Rapid Transit) em Cuiabá começa, enfim, a apresentar sinais concretos de conclusão. Um pequeno trecho localizado na Avenida Rubens de Mendonça, nas imediações do Grande Templo, já está praticamente pronto, marcando um avanço simbólico em uma das obras mais polêmicas da história recente do estado.
No local, já é possível visualizar a estrutura da pista exclusiva destinada aos ônibus do BRT, além de intervenções urbanísticas que incluem pista de caminhada, organização viária e melhorias no entorno. A área começa a ganhar forma e mostra como deverá funcionar o sistema quando estiver completamente finalizado.
Apesar disso, o cenário geral ainda é de obra incompleta. O trecho entregue representa apenas uma pequena parte de um projeto muito maior, que se arrasta há mais de uma década e ainda enfrenta desconfiança da população.
Um projeto que mudou no meio do caminho
O atual BRT é resultado de uma decisão tomada após o fracasso do antigo projeto do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), iniciado em 2012. À época, o VLT foi apresentado como solução moderna para a mobilidade urbana, ligando Cuiabá a Várzea Grande, principalmente visando a demanda da Copa do Mundo de 2014.

No entanto, o que era para ser uma obra símbolo de desenvolvimento se transformou em um dos maiores exemplos de desperdício de recursos públicos. As obras foram interrompidas antes da conclusão, deixando trilhos abandonados, estruturas inacabadas e prejuízos bilionários aos cofres públicos.
Diante desse cenário, o Governo do Estado decidiu, em 2020, abandonar definitivamente o VLT e substituí-lo pelo BRT — um sistema considerado mais barato, rápido de implantar e de manutenção menos onerosa.
Escândalos, investigações e prisões
O colapso do VLT não ocorreu apenas por problemas técnicos. Diversas operações policiais ao longo dos anos revelaram um esquema milionário de corrupção envolvendo contratos da obra.
Entre 2017 e 2022, investigações conduzidas por órgãos como o Ministério Público e a Polícia Federal apontaram a existência de pagamento de propinas, superfaturamento e fraudes em licitações. A Justiça chegou a determinar a prisão de empresários e agentes públicos ligados ao projeto.
Entre os nomes mais citados nas investigações estão o ex-governador Silval Barbosa, que firmou acordo de delação premiada e detalhou o esquema, além de outros ex-secretários estaduais e representantes de empresas envolvidas no consórcio responsável pela obra do VLT.

Reprodução Foto Jonal Advogado| Ex: Governador de Mato Grosso Sival Borbosa
As denúncias incluíram crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, consolidando o caso como um dos maiores escândalos da história de Mato Grosso.
População cobra resultados após anos de prejuízo
Com o avanço, ainda que parcial, do BRT, a população cuiabana volta a ter uma expectativa — mas acompanhada de forte desconfiança. Para muitos moradores, o início da conclusão de pequenos trechos não é suficiente para apagar mais de 10 anos de transtornos, prejuízos e promessas não cumpridas.

Foto|Gns Notícias: Avenida Rubens de Mendoça em Cuiabá-MT.
Além dos impactos financeiros, a obra trouxe consequências diretas no dia a dia da cidade: trânsito comprometido, comércio afetado e mobilidade urbana prejudicada por anos.
Agora, a cobrança é clara: que o novo projeto não repita os erros do passado e que o BRT seja finalmente entregue em sua totalidade, com qualidade e eficiência.
Um começo que ainda exige cautela
O trecho pronto na Avenida Rubens de Mendonça representa, sem dúvida, um pequeno avanço importante. É o primeiro sinal visível de que o projeto do BRT começa a sair do papel e caminhar para a realidade.

No entanto, especialistas apontam que ainda há um longo caminho até a conclusão completa do sistema, que deverá integrar diferentes regiões da capital e melhorar significativamente o transporte público.
Enquanto isso, a população segue acompanhando — agora com mais cautela do que esperança — cada novo passo dessa obra que já entrou para a história de Mato Grosso.
A indignação da população de Cuiabá e de todo o estado de Mato Grosso se tornou um dos principais reflexos do longo e conturbado histórico das obras do BRT. Ao longo de mais de uma década, moradores convivem diariamente com transtornos que vão muito além dos canteiros de obras: são impactos diretos na economia, na mobilidade e na qualidade de vida.
Comerciantes instalados ao longo da Avenida Rubens de Mendonça relatam queda no faturamento, dificuldade de acesso para clientes e prejuízos acumulados ano após ano. Muitos negócios não resistiram ao longo período de intervenções, enquanto outros seguem operando com dificuldades, enfrentando um cenário de incerteza constante.
Para quem depende do transporte diário, a situação também é crítica. Mudanças no tráfego, vias interditadas, atrasos e falta de planejamento eficiente transformaram a rotina da população em um verdadeiro desafio. O que deveria ser uma solução para a mobilidade urbana acabou, por muito tempo, agravando ainda mais o problema.
Esse cenário alimenta um sentimento coletivo de revolta. A percepção popular é de que houve descaso com o dinheiro público e falta de responsabilidade na condução de um projeto essencial para a cidade. As sucessivas denúncias e investigações que apontaram indícios de esquemas de corrupção envolvendo obras de mobilidade apenas reforçaram essa desconfiança.
Para muitos cuiabanos, o caso do antigo VLT e a atual implantação do BRT representam um ciclo de erros, promessas não cumpridas e possíveis irregularidades que custaram caro — não só aos cofres públicos, mas principalmente à população, que paga a conta diariamente.
Diante disso, cresce a cobrança por transparência, fiscalização rigorosa e, principalmente, respeito com o cidadão. A população quer respostas claras: quanto já foi gasto, quem são os responsáveis pelos prejuízos e quando, de fato, a obra será concluída de forma eficiente.
📢 A voz da população é fundamental
O GNS Notícias abre espaço para que você, cidadão cuiabano e mato-grossense, manifeste sua opinião sobre essa situação que já se arrasta há anos.
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