Avenida Corió, próximo à caixa d’água, expõe o abandono com trepidação intensa, prejuízos aos motoristas e ausência de pavimentação de qualidade
Redação Gns notícias atualizado e publicado em 01/04/2026

Foto Adriano Silva|Gns Notícas
Motoristas que trafegam diariamente pelo CPA 4, em Cuiabá, enfrentam uma realidade cada vez mais crítica: asfalto completamente tomado por remendos, com forte trepidação e prejuízos constantes aos veículos. A situação evidencia um problema antigo que, ao longo dos anos, tem sido tratado apenas com soluções paliativas.
O ponto mais crítico está na Avenida Corió, nas proximidades da caixa d’água do bairro. O trecho se tornou símbolo do descaso com a infraestrutura urbana. No local, o que se vê é um cenário de “remendo sobre remendo”, onde o pavimento já não suporta mais intervenções superficiais. Em muitos pontos, a via apresenta desníveis tão acentuados que a sensação é de que um remendo foi sendo colocado sobre o outro sem qualquer planejamento técnico.
A consequência direta é a trepidação constante enfrentada pelos motoristas. Dirigir pelo local exige atenção redobrada e, muitas vezes, manobras arriscadas para tentar evitar os trechos mais críticos.

Foto Adriano Silva|Gns Notícas
Prejuízos e riscos no dia a dia
Os impactos no bolso dos condutores são inevitáveis. Com o tempo, o tráfego sobre um asfalto irregular provoca:
Danos à suspensão e amortecedores
Desgaste acelerado de pneus
Problemas de alinhamento e balanceamento
Quebras inesperadas de componentes mecânicos
Além dos prejuízos financeiros, o risco de acidentes é uma preocupação constante. Motoristas frequentemente precisam desviar dos remendos mais severos, invadindo parcialmente outras faixas ou freando bruscamente, aumentando a probabilidade de colisões. Motociclistas são os mais expostos, devido à instabilidade causada pelo pavimento irregular.
Moradores relatam que o problema se arrasta há anos, sem qualquer solução definitiva. A prática recorrente de “tapa-remendo” apenas prolonga o desgaste da via, sem resolver sua estrutura.

Foto Adriano Silva|Gns Notícas
O que diz a engenharia: como deve ser um asfalto de qualidade
De acordo com especialistas em engenharia civil e normas técnicas brasileiras, como as diretrizes do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), um asfalto urbano de qualidade precisa seguir critérios rigorosos desde a base até a camada final.
Um pavimento bem executado deve conter:
1. Preparação do subleito (solo):
O solo precisa ser nivelado, compactado e estabilizado para suportar o peso do tráfego sem ceder.
2. Sub-base e base estruturada:
Camadas intermediárias feitas com materiais como brita graduada, responsáveis por distribuir a carga dos veículos e garantir resistência.
3. Sistema de drenagem eficiente:
A água é um dos principais inimigos do asfalto. Sem drenagem adequada, ocorre infiltração que compromete toda a estrutura.
4. Imprimação e ligação entre camadas:
Aplicação de material betuminoso para garantir aderência e evitar descolamento do revestimento.
5. Revestimento com CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente):
Considerado padrão de qualidade no Brasil, deve ser aplicado com controle de temperatura, espessura e compactação.
6. Espessura adequada e acabamento regular:
A camada final deve ser uniforme, sem ondulações ou desníveis, proporcionando conforto e segurança.
O problema do CPA 4
No caso do CPA 4, especialmente na Avenida Corió, o que se observa é exatamente o oposto das recomendações técnicas. A predominância de remendos indica ausência de reconstrução estrutural do pavimento.
Entre os principais problemas identificados estão:
Falta de recapeamento completo
Uso de material de baixa durabilidade
Espessura irregular do asfalto
Ausência de manutenção preventiva
Intervenções repetidas apenas na superfície
Esse tipo de prática compromete totalmente a vida útil da via e cria um ciclo contínuo de degradação.
Parecer técnico
Do ponto de vista da engenharia, o cenário do CPA 4 demonstra falhas graves na execução e manutenção da pavimentação. A solução adotada ao longo dos anos — baseada em remendos sucessivos — não atende aos padrões mínimos de qualidade exigidos para vias urbanas.
A recomendação técnica é clara: é necessário realizar a reconstrução completa do pavimento, incluindo base, sub-base e novo revestimento asfáltico, com materiais adequados e controle rigoroso de execução.
Sem isso, o problema continuará se repetindo, gerando prejuízos financeiros à população, aumentando os riscos de acidentes e comprometendo a mobilidade urbana.
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